RENÚNCIA AO MINISTÉRIO DE PREGAÇÃO

 4 Razões pelas quais renunciei aos ministérios de pregação da RCC e da minha paróquia (ministro da palavra).


Renuncio a mim mesma e me entrego toda a vós, ó incomparável Mãe!



1. OBEDIÊNCIA À PALAVRA DE DEUS.
Desde que me converti ao catolicismo no ano de 2009, eu considero a pregação da palavra de Deus um chamado divino. No início, eu pensava que na liturgia todos podiam pregar; hoje, sei que essa missão está estritamente ligada ao sacramento da ordem.
Por graça e misericórdia divinas, eu havia pregado poucas vezes antes de me deparar com as seguintes passagens bíblicas:
1 Coríntios 14, 34-35: Como em todas as igrejas dos santos, as mulheres estejam caladas nas assembleias: não lhes é permitido falar, mas devem estar submissas, como também ordena a lei. Se querem aprender alguma coisa, perguntem-na em casa aos seus maridos, porque é inconveniente para uma mulher falar na assembleia.
1 Timóteo 2, 9-15. (destaque p , 11-15):   A mulher ouça a instrução em silêncio, com espírito de submissão. Não permito à mulher que ensine nem que se arrogue autoridade sobre o homem, mas permaneça em silêncio. Pois o primeiro a ser criado foi Adão, depois Eva. E não foi Adão que se deixou iludir, e sim a mulher que, enganada, se tornou culpada de transgressão. Contudo, ela poderá salvar-se, cumprindo os deveres de mãe, contanto que permaneça com modéstia na fé, na caridade e na santidade.
Então, apesar de muitas pessoas ( leigos e até padres) disserem que era um chamado de Deus e que eu tinha um dom, comecei a me sentir mal, eu via que aquele não era meu lugar. Lembrei que a Igreja não transmite o sacramento da ordem a mulheres:
CIC 1577. «Só o varão (vir) batizado pode receber validamente a sagrada ordenação» (69). O Senhor Jesus escolheu homens (viri) para formar o colégio dos Doze Apóstolos (70), e o mesmo fizeram os Apóstolos quando escolheram os seus colaboradores (71) para lhes sucederem no desempenho do seu ministério (72). O Colégio dos bispos, a que os presbíteros estão unidos no sacerdócio, torna presente e atualiza, até que Cristo volte, o Colégio dos Doze. A Igreja reconhece-se vinculada por essa escolha feita pelo Senhor em pessoa. É por isso que a ordenação das mulheres não é possível (73).
Portanto, as mulheres não devem ir ao altar:
"O ministro servindo na missa não seja uma mulher, a não ser que, faltando um homem, por uma razão justa, precavendo para que a mulher responda de uma certa distância e de nenhum modo suba no altar.'' (Papa Bento XIV, Carta Encíclica ''Allatae Sunt'', 26 de Julho de 1755. The Papal Encyclicals, vol. 1 (1740-1878), pág. 64)
Uma vez que este abuso se alastrou aos gregos, Inocêncio IV o proibiu estritamente em sua carta ao bispo de Tusculum: ‘As mulheres que não se atrevam a servir no altar; este ministério deve-lhes ser totalmente rejeitado.’ Nós também já antes proibimos esta prática com as mesmas palavras em nossa tantas vezes repetida. (Constituição Etsi Pastoralis, sect. 6, no. 21".- Encíclica Allatae Sunt, 26 de Julho de1755).

Conheça também o artigo: Acólitas, Cerimoniárias e outras coisas do gênero... feminino.: http://www.salvemaliturgia.com/2014/06/acolitas-cerimoniarias-e-outras-coisas.html?m=1  
Deus criou funções diferentes (nem superiores nem inferiores) para homens e mulheres. Existem muitos movimentos femininos que nós mulheres podemos participar, como, as Filhas de Maria, as Goretinhas (formam meninas no espirito de Santa Maria Goretti), podemos ser catequistas, participar de grupos de estudo bíblico, limpar e arrumar a igreja etc. A mulher é um apoio para o homem, e este um apoio para a mulher.

2. PARA INCENTIVAR O SURGIMENTO DE NOVAS VOCAÇÕES SACERDOTAIS.


Outro motivo que foi decisivo para mim, se trata da escassez de vocações sacerdotais. Apesar de muitos disserem que a vocação laical de pregação da palavra surgiu por conta da queda no número de sacerdotes. Acredito (junto com a santa tradição católica) que foi ao contrário, que, o número de sacerdotes caiu por conta da substituição desses por leigos tanto na entrega da comunhão quanto na pregação da palavra. Quando “qualquer” pessoa pode substituir o padre na Igreja, se torna difícil para um jovem perceber a importância desse chamado. Já tem até pessoas afirmando que celebração da palavra e santa missa são a mesma coisa, e isto é um profundo engano.
Primeiro,  existe uma diferença de vocação entre os fiéis e os ministros, pois, apesar de todos sermos chamados a santidade, a liturgia é um sacramental, que deve ser transmitida por alguém que possua o sacramento da ordem (diáconos ou padres):
São Paulo nos fala sobre os diáconos após a passagem em que proíbe as mulheres de pregar:
1 Timóteo 3, 1-12: Eis uma coisa certa: quem aspira ao episcopado, saiba que está desejando uma função sublime. Porque o bispo tem o dever de ser irrepreensível, casado uma só vez, sóbrio, prudente, regrado no seu proceder, hospitaleiro, capaz de ensinar. Não deve ser dado a bebidas, nem violento, mas condescendente, pacífico, desinteressado; deve saber governar bem a sua casa, educar os seus filhos na obediência e na castidade. Pois quem não sabe governar a sua própria casa, como terá cuidado da Igreja de Deus? Não pode ser um recém-convertido, para não acontecer que, ofuscado pela vaidade, venha a cair na mesma condenação que o demônio. Importa, outrossim, que goze de boa consideração por parte dos de fora, para que não se exponha ao desprezo e caia assim nas ciladas diabólicas. Do mesmo modo, os diáconos sejam honestos, não de duas atitudes nem propensos ao excesso da bebida e ao espírito de lucro; que guardem o mistério da fé numa consciência pura. Antes de poderem exercer o seu ministério, sejam provados para que se tenha certeza de que são irrepreensíveis. 12. Os diáconos não sejam casados senão uma vez, e saibam governar os filhos e a casa.
O Catecismo da Igreja Católica reforça que a missão de pregar a palavra na Igreja é dos que possuem o sacramento da ordem em n. 1086 e 1087: Assim como Cristo foi enviado pelo Pai, assim também Ele enviou os Apóstolos, cheios do Espírito Santo, não só para que, pregando o Evangelho a toda a criatura, anunciassem que o Filho de Deus, pela sua morte e ressurreição, nos libertara do poder de Satanás e da morte e nos introduzira no Reino do Pai, mas também para que realizassem a obra da salvação que anunciavam, mediante o Sacrifício e os sacramentos, à volta dos quais gira toda a vida litúrgica» (4).
1087. Deste modo, Cristo ressuscitado, ao dar o Espírito Santo aos Apóstolos, confia-lhes o seu poder de santificação: (5) eles tornam-se sinais sacramentais de Cristo. Pelo poder do mesmo Espírito Santo, eles confiam este poder aos seus sucessores. Esta «sucessão apostólica» estrutura toda a vida litúrgica da Igreja: ela própria é sacramental, transmitida pelo sacramento da Ordem.

Com isso, vimos a necessidade do sacramento da ordem para administração da liturgia. Portanto, os ministros da palavra deveriam ser pelo menos diáconos. E não se trata de superioridade ou de inferioridade, é apenas uma diferença vital para a Igreja.
Observe o CIC nos números de 1119 a 1121: Formando com Cristo-Cabeça «como que uma única pessoa mística» (32), a Igreja age nos sacramentos como «comunidade sacerdotal», «organicamente estruturada» (33): pelo Batismo e pela Confirmação, o povo sacerdotal torna-se apto a celebrar a liturgia; e por outro lado, certos fiéis, «assinalados com a sagrada Ordem, ficam constituídos em nome de Cristo para apascentar a Igreja com a Palavra e a graça de Deus» (34).
1120. O ministério ordenado ou sacerdócio ministerial (35) está ao serviço do sacerdócio batismal. Ele garante que, nos sacramentos, é de certeza Cristo que age pelo Espírito Santo em favor da Igreja. A missão de salvação, confiada pelo Pai ao seu Filho encarnado, é confiada aos Apóstolos e, por eles, aos seus sucessores; eles recebem o Espírito de Jesus para agirem em seu nome e na sua pessoa (36). Assim, o ministro ordenado é o laço sacramental que une a ação litúrgica àquilo que disseram e fizeram os Apóstolos e, por eles, ao que disse e fez o próprio Cristo, fonte e fundamento dos sacramentos.
1121. Os três sacramentos do Baptismo, Confirmação e Ordem conferem, além da graça, um carácter sacramental ou «selo», pelo qual o cristão participa no sacerdócio de Cristo e faz parte da Igreja segundo estados e funções diversas. Esta configuração a Cristo e à Igreja, realizada pelo Espírito, é indelével (37), fica para sempre no cristão como disposição positiva para a graça, como promessa e garantia da proteção divina e como vocação para o culto divino e para o serviço da Igreja. Por isso, estes sacramentos nunca podem ser repetidos.

Por isso amigos se faz urgentemente necessário que incentivemos os meninos e rapazes a participarem mais da liturgia. Podemos começar incentivando-os a fazerem as leituras, a serem coroinhas etc. Muitas vezes, somos nós mulheres que tomamos a frente de tudo e nem se quer damos chance aos homens de cumprir a parte que é essencialmente deles na missa. Que o Senhor nos ajude a ter mais humildade e aumente a nossa fé.

3. FALTA DE TEMPO PARA MINHA FAMÍLIA.
Outro motivo que reforçou minha decisão foi a atenção que eu dava a minha família. Eu cursava faculdade semi-presencial, e trabalho vendendo lanches dia sim dia não (15 dias mensais) com o meu esposo, e tenho uma filha que naquele tempo tinha 8 anos. Na Igreja eu ajudava no catecismo de adultos , no ministério da palavra, na leitura litúrgica aos domingos na santa missa, e na equipe missionária da paróquia; e para quase todas essas atividades haviam reuniões preparatórias em horários noturnos ou nos fins de semana. Com isso, sobrava para a minha família o mínimo de tempo de atenção e o meu cansaço (mais psicológico do que físico). Perdi a conta de quantas conversas com minha filha adiei, e quando a procurava, ela já estava dormindo. Resultado: Ela crescia em estatura, ignorância e raiva com relação às coisas de Deus. Era rebelde a praticamente tudo do mínimo que eu a ensinava, e afirmava que eu não tinha tempo para ela porque só tinha para a igreja.
Tudo isso, fez minha consciência começar a doer, pois, de que me adiantaria testemunhar o amor de Jesus ao mundo, se minha própria família não O amasse? Veja o que diz a escritura sobre as obrigações dos diáconos com relação à família,
 1 Timóteo 3, 4-5: Deve saber governar bem a sua casa, educar os seus filhos na obediência e na castidade. Pois quem não sabe governar a sua própria casa, como terá cuidado da Igreja de Deus?
1 Timóteo 5, 8: Quem se descuida dos seus, e principalmente dos de sua própria família, é um renegado, pior que um infiel.
Sei que só a graça de Deus pode dar a salvação aos nossos filhos, e os pais, por causa do elo afetivo, são os maiores incentivadores (positivos ou negativos). Agora, com mais tempo, passei a catequisar minha filha, a ser mais carinhosa com ela, a prestar mais atenção em seu comportamento. Hoje ela é mais dócil ao evangelho. Faço minha parte, confiando na graça de Deus.

4. CONTRADIÇÃO (Lucas 6, 41-42).
O ultimo motivo é uma contradição com a qual quase sempre me deparo. Muitos católicos criticam os protestantes por seguirem o que os pastores ensinam, ao invés de seguirem os padres que estudam (a maioria) no mínimo sete anos para se formarem. Porém, muitas dessas mesmas pessoas (com o mínimo de formação, e com famílias para cuidar) pregam a palavra nas igrejas. O lado negativo disso, é quando se ignora os ensinamentos de grandes santos ou sacerdotes, priorizando o que foi dito por um leigo. Um exemplo é a modéstia: Certa vez uma mulher me disse que não segue porque a pregadora da comunidade que ela participa também não segue; e eu já havia mostrado a essa pessoa que eram ensinamentos de São padre Pio, de papas anteriores, de padre Paulo Ricardo, entre outros. E pelo jeito muitas outras pessoas pensam assim, até mesmo por causa da omissão de muitos sacerdotes atualmente com relação a esse assunto. Agora vejamos, é claro que os grandes santos e sacerdotes têm muito mais conhecimento dos assuntos de Deus. Devemos ignorá-los?
Romanos 13, 1-5: Cada qual seja submisso às autoridades constituídas, porque não há autoridade que não venha de Deus; as que existem foram instituídas por Deus. Assim, aquele que resiste à autoridade, opõe-se à ordem estabelecida por Deus; e os que a ela se opõem, atraem sobre si a condenação. Em verdade, as autoridades inspiram temor, não porém a quem pratica o bem, e sim a quem faz o mal! Queres não ter o que temer a autoridade? Faze o bem e terás o seu louvor. Porque ela é instrumento de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, porque não é sem razão que leva a espada: é ministro de Deus, para fazer justiça e para exercer a ira contra aquele que pratica o mal. Portanto, é necessário submeter-se, não somente por temor do castigo, mas também por dever de consciência.
Infelizmente irmãos, o protestantismo atua dentro da própria igreja, mas não queremos enxergar.
Enfim, amigos, este foi o chamado e o impulso de minha alma, esse texto, apesar de longo, precisava ser escrito. Sou nada e ninguém, apenas uma pobre pecadora, necessitada da graça divina, e lutando pela santidade. Mas quero cooperar com o Reino de Deus, nem que para isso eu precise calar ao invés de falar, para mim o que importa é fazer a vontade Dele. Eu gostava de pregar a palavra, pois queria ajudar a igreja. Eu achava isso uma inovação fantástica e contava feliz aos meus amigos protestantes que atualmente na Igreja Católica os leigos também pregavam. Porém, hoje enxergo com tristeza a falta de sacerdotes, pois sabemos que se essa situação não se reverter, um dia nos faltará o bem mais precioso de nossa fé, fonte de vida e salvação, a Sagrada Eucaristia.
Peçamos ao Senhor que aumente nosso amor, e também nossa fé na Sua misericordiosa providência que enviará operários para a Sua messe, se assim lhe pedirmos (Mateus 9, 37-38).
Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje e por toda a eternidade. (Hebreus 13, 8).

(editado novamente em 28.02.2017)


REFERÊNCIAS:
Bíblia Sagrada AVE MARIA.
Catecismo da Igreja Católica.
A dúvida respondida por São João Paulo II. Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog/a-duvida-respondida-por-sao-joao-paulo-ii . (ultimo acesso em 19.02.2017)
Acólitas, Cerimoniárias e outras coisas do gênero... feminino. Fonte: http://www.salvemaliturgia.com/2014/06/acolitas-cerimoniarias-e-outras-coisas.html?m=1 .(ultimo acesso em 20.02.2017).

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